
Costumo caminhar sempre pensativa, interpretando meticulosamente os olhares vulgares, matutando sobre tudo o que um dia aprendi sozinha ou o que alguém me quis implementar discretamente. Cabisbaixa, também vejo o caminho que cada um segue. Adapto acções por palavras pacatas e conto histórias, finjo-me narradora e conto prelúdios.
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● Setembro 2009
● Outubro 2009
● Novembro 2009
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 Na noite passada tive medo, muito medo. Hoje revivo intermitências de memórias que surgem como se de um sonho se tratasse: num segundo estou na tua boca, no outro estou de olhos fechados a tentar adormecer. Não sei porque o fiz, porque é que aconteceu tudo daquele jeito. Nem sei como acabou a noite, não tenho reminiscências dela. Havia chuva. Havia bebidas. Havia um casaco. Havias tu. Havia o infortúnio de uma primeira impressão – e é esse o mal das primeiras impressões, só se pode ter uma.
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Que vergonha a minha. Perdi-me, perdi-me demasiado! Intercalei demasiadas afeições, demasiadas paixões, demasiadas atracções. Quis experimentar-me nos outros, quis parecer grande apenas porque tinha alguém, porque sabia ter alguém. Esqueci a seriedade, o sentimento puro, esqueci tudo porque os olhos fecharam. Tanto conquistei que nada senti! Usufruí de corpos e esqueci almas, esqueci abraços. Esqueci amizade. Esqueci-ME!
Já não sei amar.
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